August 2007


Luz sobre dias sombrios

(Confira aqui / Confira aqui)

O mundo aplaude a atitude do governo brasileiro em publicar um livro sobre a ditadura militar no Brasil que foi de 1964 a 1985.

O livro se chama “Direito à Memória e à Verdade” e é o primeiro relato oficial sobre os anos negros da ditadura.

São 500 páginas, resultado de 11 anos de pesquisas, e faz relato sobre torturas, estupros e desaparecimentos de mais de 500 ativistas e inclui fotos de corpos e vítimas torturadas.

Jornais como o The Guardian, diário britânico, destacam partes do pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que destaco, “virar definitivamente essa página sombria da nossa história”.

O lançamento do livro não contou com a presença de autoridades militares. Atitude é estranha, pois evidencia um não arrependimento oficial da instituição com este episódio.

Passaram 28 anos da Anistia Brasileira que serviu apenas para proteger os assassinos e torturadores e o governo deseja virar esta página.

Não concordo em virar a página, acredito que esta página deve ficar muito viva para evitar que atrocidades assim voltem a acontecer.

No Chile um atentado a bomba, em frente a uma emissora de TV, marca a semana em que o ex-general Hugo Salas Wenzel ser condenado a prisão perpétua pelo assassinato de 12 opositores ao regime de Augusto Pinochet.

E por “coincidência” o grupo “anarquista” deixou panfletos, junto a bomba, criticando os veículos de comunicação e chamando para um protesto dia 11 de setembro - data que marca o golpe liderado por Augusto Pinochet em 1973.

Tive acesso a um manual de tortura confeccionado durante a ditadura militar brasileira em que haviam instruções de como proceder em sessões de tortura e este foi exportado para outras ditaduras na América Latina que seguiram o “modelo de tortura brasileiro”.

Documentos ainda precisam ser tornados públicos e muita lama ainda sairá desta história, mas o governo e os militares ainda estão protegendo os ligados a ditadura, pois muitos ainda estão vivos.

Muitas famílias ainda sonham em recuperar os restos mortais de seus entes queridos e poder encerrar esta procura por vestígios.

É como ocorre em um caso de seqüestro não resolvido. Somente se coloca um ponto final quando se tem certeza do fim do episódio que pode acabar de duas formas. Pode acabar com um abraço dos membros da família ou com uma pá de terra sobre um caixão.

No caso dos desaparecidos as famílias somente querem o direito de lhes dar um enterro digno e descansar em paz. É o mínimo que o governo pode fazer para aliviar esta dor que não é só das famílias, é de todos nós.

Acima a foto que mencionei no artigo Notícia: A justiça deve ser feita. Antes tarde do que nunca publicado dia 29/09/2007.

“Os ignorantes não entendem, mas felicidade ajuda a produtividade”.

André Neves

Bom dia

Estou com um volume muito grande de trabalho e provavelmente voltarei somente a tarde.

Grande abraço para todos e um ótimo dia. :)

“Aos olhos daquele que é feliz até tempestade tem sua beleza”.

André Neves

A justiça deve ser feita. Antes tarde do que nunca

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O Chile mostra sinais positivos quanto a consolidação da democracia e desestímulo a possíveis “futuros projetos de ditadores”.

Terça passada a Suprema Corte chilena confirmou a condenação à prisão perpétua do ex-general Hugo Salas Wenzel pelo assassinato de 12 opositores ao regime de Augusto Pinochet.

Ele esta encabeçando uma lista de torturadores e servirá de exemplo, pois é o primeiro a ser condenado a prisão perpétua.

Violações de direitos humanos sempre foram a principal arma de governos ditadoriais para a manutenção de seu regime truculento.

Salas chefiava a Central Nacional de Informações (CNI) o que poderia ser traduzido como chefe da central de limpeza e tortura do regime de Pinochet.

Os 12 assassinados que resultaram na prisão perpétua de Salas eram integrantes da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) e foram mortos em 1987.

Esta chacina ficou conhecida como “Matança de Corpus Christi“, como uma funestra referencia os 12 apóstolos.

O governo afirmou, na época, que haviam morrido em choque com as forças de segurança, mas na verdade eles, provavelmente, morreram em choque contra um pelotão de fuzilamento.

Milhares foram torturados e assassinados durante o governo Pinochet que foi de 1973 a 1990, infelizmente Pinochet morreu em dezembro de 2006, aos 91 anos, sem ter sido julgado e punido por seus crimes. O que nos lembra a máxima “os crápulas também envelhecem“.

Durante a ditadura no Brasil houve um caso em que ocorreu um “suicídio” em uma das celas e a foto oficial mostrava o “suicida” enforcado com a corda ainda amarrada nas grades e com o corpo encostado no chão, o que mostra a impossibilidade de um suicídio verdadeiro.

Infelizmente devido a acordos que resultaram na “anistia geral e irrestrita” os torturadores e assassinos brasileiros sairam livres.

Com a desculpa de facilitar a volta dos exilados os assassinos foram beneficiados por brechas criadas na lei por aliados comprados pelo regime.

Restanos zelar para que atrocidades como estas nunca voltam a acontecer.

Ditadura nunca mais!

“Lembranças podem nos trazer felicidade e sabedoria, mas não devemos viver no passado”.

André Neves

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É incrível como as lendas mais fantasmagóricas e que mais atormentam o imaginário popular conseguem tornar-se reais.

Como um passe de mágica os medos se tornam reais e a realidade passa a assustar mais que a ficção.

Poucos podem dizer com sinceridade que nunca imaginaram como poderia ser terrível ser enterrado vivo.

Alguns casos assombram o coletivo, como casos de pessoas que ao serem exumadas estavam em posições diferentes do que quando foram enterradas. Alguns casos mais sinistros contam inclusive que pedaços do caixão foram encontrados com arranhões e pedaços de unha.

Esta lenda urbana encontra subsídios na antigüidade, não tão antiga, quando a medicina era rudimentar e fazia com que erros facilmente ocorressem.

Casos em zonas rurais em que a não detecção correta da morte provocava esses acontecimentos.

A catalepsia sempre foi uma das principais “causadoras” desta confusão, pois em estado cataléptico a rigidez corporal ligada a seus outros sintomas é capaz de causar tal engano.

Ser enterrado vivo por engano é algo terrível, mas quando isto acontece propositalmente cria um “ar” de psicopatia.

O cinema retratou algumas vezes este tipo de evento, mas na realidade ele não ocorre pelas mãos de um serial killer e sim de familiares o que deixa mais tenebroso o acontecimento.

Em Papua Nova Guiné esta prática esta virando rotina em zonas afastadas da capital.

Portadores do vírus HIV estão sendo enterrados vivos por suas próprias famílias por medo e ignorância.

Segundo Margaret Marabeassistente social, esta prática esta ocorrendo porque as famílias não sabem como proceder aos cuidados necessários para manter os HIV positivos e por medo de contrair a doença.

Ela foi testemunha de uma série de sepultamentos de pessoas vivas em uma viagem que durou cinco meses

O caso mais chocante foi o de um jovem que gritava “mãe, mãe” enquanto a terra era jogada sobre seu corpo e aos poucos lhe asfixiava.

Os gritos para sempre ficarão em sua mente, mas o mesmo não ocorre com muitos governantes que preferem gastar milhões somente como afronta, como no caso que citei semana passada (Notícia: Hugo Chávez, um homem de coração) em que estes recursos poderiam ser empregados em situações mais necessárias do que patrocinar passagens para moradores de uma das cidades mais ricas do mundo.

Este tipo de atrocidade e desperdício não é privilégio de nenhum país, mas todos têm responsabilidade para com o mundo, o futuro e principalmente com sua consciência.

É fácil dormir em mansões e desfrutar de férias em locais paradisíacos quando não se tem os gritos de um jovem implorando pela própria vida a lhe perturbar o sono.

Estes casos ocorrem de outras formas em todos os locais do mundo. Podem estar ocorrendo neste momento na esquina da sua rua ou em sua vizinhança. Ficamos chocados, mas não fazemos nada.

É como se sofressemos de uma espécie de miopia, em nossa consciência, que nos permite ficar chocados com o que ocorre do outro lado do mundo, mas não nos deixa ver o que ocorre ao nosso lado, talvez porque se enchegarmos teremos que fazer algo e isto é muito “trabalhoso”.

Neste momento tem alguém gritando “mãe, mãe” e implorando por ajuda, basta que você diminua o som e abra a janela para poder ouvir.

“Controle o medo do fracasso e controlará sua possibilidade de sucesso”.

André Neves

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Alguns dias atrás, para ser mais exato no dia 16/08/2007, publiquei um artigo intitulado Notícia: Desejo de ser eterno sobre a expectativa de Hugo Chávez de se tornar tão famoso e “duradouro” quanto Fidel Castro.

A espetacular defesa feita por Chavéz teve momentos fabulosos, com discursos memoráveis, de tanta “paixão”.

Ele afirmou, em um evento partidário em Caracas, que não irá mais desmentir rumores sobre a morte de Fidel. Ainda não sabemos porque fazia isto e esperamos que pare mesmo.

Sua declaração final surpreendeu bastante, “Aqueles que querem vê-lo morto ficarão frustrados, porque Fidel Castro nunca morrerá.”

Como assim “nunca morrerá“? Não estamos falando de morte de ideais ou morte da personalidade, estamos falando de morte física, coisa normal e esperada para qualquer pessoa. Parece que Chávez acredita, realmente, na imortalidade fisica de Fidel.

Qual o motivo de tão ferrenha defesa? Talvez a explicação mais plausível (?!?!) seja a intenção de compartilhar uma possível fonte da juventude cubana.

Acreditar neste tipo de coisas é com certeza um dos sintomas de senilidade.

Ainda teremos o prazer de ouvir Hugo Chávez dizer “Mesmo que somente eu acredite que Fidel esteja vivo, desmentirei sua morte”.

Criatividade zero, mas pelo menos é engraçado. Rezemos para que esta fonte da juventude cubana não exista.

“A esperança nunca abandona ninguém, somos nós que abandonamos a esperança”.

André Neves

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