Luz sobre dias sombrios

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O mundo aplaude a atitude do governo brasileiro em publicar um livro sobre a ditadura militar no Brasil que foi de 1964 a 1985.

O livro se chama “Direito à Memória e à Verdade” e é o primeiro relato oficial sobre os anos negros da ditadura.

São 500 páginas, resultado de 11 anos de pesquisas, e faz relato sobre torturas, estupros e desaparecimentos de mais de 500 ativistas e inclui fotos de corpos e vítimas torturadas.

Jornais como o The Guardian, diário britânico, destacam partes do pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que destaco, “virar definitivamente essa página sombria da nossa história”.

O lançamento do livro não contou com a presença de autoridades militares. Atitude é estranha, pois evidencia um não arrependimento oficial da instituição com este episódio.

Passaram 28 anos da Anistia Brasileira que serviu apenas para proteger os assassinos e torturadores e o governo deseja virar esta página.

Não concordo em virar a página, acredito que esta página deve ficar muito viva para evitar que atrocidades assim voltem a acontecer.

No Chile um atentado a bomba, em frente a uma emissora de TV, marca a semana em que o ex-general Hugo Salas Wenzel ser condenado a prisão perpétua pelo assassinato de 12 opositores ao regime de Augusto Pinochet.

E por “coincidência” o grupo “anarquista” deixou panfletos, junto a bomba, criticando os veículos de comunicação e chamando para um protesto dia 11 de setembro - data que marca o golpe liderado por Augusto Pinochet em 1973.

Tive acesso a um manual de tortura confeccionado durante a ditadura militar brasileira em que haviam instruções de como proceder em sessões de tortura e este foi exportado para outras ditaduras na América Latina que seguiram o “modelo de tortura brasileiro”.

Documentos ainda precisam ser tornados públicos e muita lama ainda sairá desta história, mas o governo e os militares ainda estão protegendo os ligados a ditadura, pois muitos ainda estão vivos.

Muitas famílias ainda sonham em recuperar os restos mortais de seus entes queridos e poder encerrar esta procura por vestígios.

É como ocorre em um caso de seqüestro não resolvido. Somente se coloca um ponto final quando se tem certeza do fim do episódio que pode acabar de duas formas. Pode acabar com um abraço dos membros da família ou com uma pá de terra sobre um caixão.

No caso dos desaparecidos as famílias somente querem o direito de lhes dar um enterro digno e descansar em paz. É o mínimo que o governo pode fazer para aliviar esta dor que não é só das famílias, é de todos nós.

Acima a foto que mencionei no artigo Notícia: A justiça deve ser feita. Antes tarde do que nunca publicado dia 29/09/2007.