September 2007


Aos homens santos da Birmânia

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Monges em Mianmar 

Ruas interditadas, mosteiros cercados e ameaças, muitas ameaças.

O cenário lembra os tempos de ditadura militar no Brasil.

As pessoas têm medo de sair de casa, mas a vontade de acabar com as atrocidades que ocorrem é maior que o temor pela segurança individual.

O exército esta nas ruas, mas até quando o regime irá agüentar a pressão interna e externa?

Afinal, manter uma situação em que se tem certeza que sua presença é totalmente indesejável é inviável, mas o medo de perder as riquezas conseguidas e de sofrer as penas das atrocidades cometidas é enorme.

A internet foi cortada e repórteres são perseguidos, o governo tenta abafar o caso, mas a repressão violenta esta afastando até mesmo os aliados fortes que possuía.

Houve nove mortos confirmados, durante os embates e uma massa de feridos.

Segundo o embaixador australiano Bob Davis o número de mortos é dezenas de vezes maior, mas o governo esta encobrindo seu rastro de sangue.

China e Rússia já aceitam as sanções impostas pela ONU e o futuro da ditaduta em Mianmar se torna difícil.

George W. Bush esta tendo um papel de liderança na condenação internacional, mas não pode agir diretamente por questões políticas e diplomáticas, afinal é o “quintal” da China e da Rússia.

Em suas palavras declarou “Eu sinto admiração e compaixão pelos monges e pelos protestos pacíficos que pedem democracia” e “Toda nação civilizada tem a responsabilidade de defender as pessoas que estão sofrendo sob um regime militar como o que tem dirigido Mianmar por tanto tempo.”.

Neste ponto todos concordamos e algo precisa ser feito, pois os monges que lideraram as manifestações estão sendo presos, cercados e mantidos dentro dos mosteiros ou apenas desaparecendo.

O governo usa a truculência e os manifestantes sua coragem.

O povo sabe que é um caminho sem volta, afinal se retrocederem irá amargar muitos anos de repressão ao extremo e os líderes da atual revolta apenas desaparecerão.

Não podemos deixar que pessoas que tiveram esta coragem acabem apenas desaparecendo da história como se suas vidas não tivessem tido um propósito.

Façamos nossa parte  e principalmente preservemos seus ideais de paz e liberdade, assim garantiremos que eles viverão para sempre.

“O bravo é percebido por ter mais fé em seus ideais do que em seus medos.”

André Neves

Mortos ou Mártires

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Image Mianmar

Em Mianmar o governo impõe uma série de restrições e continua em uma onda de perseguição a seus opositores, onde nem mesmo os monges são poupados.

Houve uma seqüência de invasões a seis mosteiros que culminou com a prisão de 200 monges budistas nesta madrugada.

Durante a invasão houve espancamento de monges que foram acordados com violência enquanto os soldados invadiam e quebravam tudo em seu caminho.

Segundo informações cinco pessoas morreram nos protestos destas quarta.

O exército ocupa as ruas e utiliza os métodos truculentos para evitar aglomerações. A cada dia existem mais viaturas do governo nas ruas.

Segundo o embaixador britânicoHá caminhões de incêndio, com jatos d’água, posicionados em vários pontos - cerca de três deles estão em frente à prefeitura. Também há vários camburões espalhados.

A Pagoda Shwedagon foi cercada com barricadas e arame farpado, mas a expectativa é de mais protestos. A população voltará as ruas em solidariedade aos monges.

Graças a China que é um dos membros do Conselho de Segurança da ONU não haverá, por enquanto, sanções a Mianmar.

A ONU enviará Ibrahim Gambari, enviado especial, e pedem que seja recebido com urgência.

A China e a Rússia são os principais opositores de uma atitude da ONU no estabelecimento do processo democrático em Mianmar, a Rússia por questões de interesse e na tentativa de manter um de seus parcos aliados, enquanto a China por não ser nada democrática.

Muitos temem que se repita o episódio que ocorreu em 1988 e que deixou mais de três mil mortos, mas abrir fogo contra monges em protestos pacíficos seria o mesmo que selar o destino desta ditadura.

Em 1988 foram feitos mortos, desta vez seriam feitos mártires.

“Ter medo é prova de inteligência, controla-lo é prova de sabedoria.”

André Neves

Ataque aos monges

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Com cacetetes e gás lacrimogêneo o governo da Birmânia ataca monges que participam das manifestações por um estado não ditatorial.

O ataque aconteceu na pagoda Shwedagon, em Yangun, onde esta sendo originadas as passeatas nos últimos dias.

Esta tentativa do governo de desbaratar manifestações ocorreu em um local sagrado, afinal, para quem não sabe pagoda ou pagode é uma referência a um tipo de templo usado por povos asiáticos em cultos a seus deuses.

Os militares chegaram de madrugada da primeira noite do toque de recolher, determinados a impedir aglomerações e fazendo prisões de dissidentes.

A onda de prisões continua e até mesmo um ativista de 70 anos, chamado U Win Naing, atores e humoristas foram alvo de prisões e da repressão do governo.

O governo usa a mídia oficial do estado para ameaçar a população e principalmente os monges budistas e declara que esta “pronta para agir“.

George W. Bush, presidente dos Estados Unidos anunciou mais sanções a Mianmar durante a Assembléia Geral da ONU e a União Européia pediu a junta militar que inicie um processo real de abertura política.

O toque de recolher não esta sendo respeitado e as aglomerações continuam a desafiar o poder militar e nem mesmo as tropas de choque com seus gritos de intimidação enquanto marcham batendo em seus escudos é capaz de amedrontar aqueles que clamam por um país livre.

Em declaração um importante monge disse “Nós já decidimos arriscar nossas vidas pelo povo” e “Nós vamos mostrar primeiro nossa bondade“.

Violência não é capaz de amedrontar os monges que continuam firmes sua marcha diária.

Mais que força e armas um país respeitável é feito de pessoas corajosas que são capazes de arriscar a vida por seu povo e por um futuro melhor.

“Nunca deixamos de ser alunos, até em nossa morte podemos aprender algo.”

André Neves

Trio indesejável
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Esta semana haverá visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a Bolívia e Venezuela. Esta visita ocorrerá após a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.

Enquanto espera a visita Ahmadinejad, Hugo Chávez adia novamente a mudança do horário oficial da Venezuela.

Seria um atraso de meia hora, somente para ficar fora da “convenção” mundial de horários inteiros e ir, novamente, contra o mundo.

Mais uma vez causou confusão, afinal a desculpa era fazer com que as crianças acordassem já com a luz do dia, mas até mesmo Chávez em seu pronunciamento se confundiu e ao invés de pedir que o povo atrasar os relógios mandou que adiantasse.

Quanto à reunião da ONU o principal problema a ser debatido é o programa de enriquecimento de Urânio que deixa no ar a suspeita de fins militares por detrás da cortina de autonomia energética. Hugo Chávez declarou que ele e seus aliados apenas desejam uma “revolução petroquímica“, não sabemos onde enriquecimento de urânio entraria neste contexto.

Durante a Assembléia da ONU Mahmoud Ahmadinejad não poupou palavras em atacar seus inimigos históricos.

Israel e Estados Unidos estavam no centro de seus ataques e sofreram acusações de racismo e ocupação indevida.

Houve ainda um encontro do presidente iraniano com um grupo de judeu anti-sionista chamado Neturei Karta Internacional que possibilitou um aumento dos argumentos contra o estado de Israel.

Mahmoud Ahmadinejad não foi tão bem recebido e o jornal Daily News, de Nova York, estampou uma manchete com “O mal chegou“.

Outros trechos da reportagem fazem menção da negação do Holocausto e patrocínio ao terrorismo por parte do Irã.

E o “possível” maior financiador mundial do terrorismo queria ainda visitar o local onde ficava o World Trade Center, mas esta visita não foi autorizada.

Em um trecho de uma entrevista do respeitado cientista, especialista em energia nuclear, José Goldemberg (ex-reitor da Universidade de São Paulo) declarou sob as suspeitas de o uso militar do urânio enriquecido pelo Irã, “Para reforçar estas suspeitas, o Irã tem enormes reservas de gás, com o qual poderia gerar toda a eletricidade por muitos anos.”. É estranho um país rico em recursos energéticos e com possibilidades alternativas estar tão interessado em energia nuclear, mas segundo Mahmoud Ahmadinejad declarou, “Nós não acreditamos em armas nucleares, ponto.

É difícil acreditar que não existe algo por detrás disto tudo e uma união com Hugo Chávez e Evo Morales é preocupante no atual contexto da América Latina.

“A tristeza do bom causa falsa alegria no mau, a tristeza do mau causa verdadeira solidariedade no bom.”

André Neves

Marcha contra os Generais

 

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Mianmar é um país distante, quase do outro lado do mundo, fronteiriço com China, Thailandia, Laos e Bangladesh e que passa por uma situação similar a passada por vários outros países.

Sua população vive prisioneira de uma ditadura militar extremamente autoritária e o mundo fecha os olhos porque não existem campos de petróleo ou riquezas que incentivam a natureza “humanitária” dos governantes de grandes potências.

Em um novo protesto mais de 30 mil pessoas vão as ruas de Rangoon, a maior cidade de Mianmar , sob liderança dos monges da Aliança dos Monges Budistas da Birmânia (antigo nome de Mianmar). Esta marcha marca o oitavo dia consecutivo de protestos contra governo militar.

Os monges tentaram pela terceira vez consecutiva visitar a líder da oposição que se encontra em prisão domiciliar a 4 anos. Os policiais estão impedindo a passagem dos monges em um cerco a casa da líder oposicionista.

Existe o medo de que aconteça novamente como em 1988 quando o governo massacrou 3 mil manifestantes durante o último grande protesto contra a ditadura.

Os generais devem estar apreensivos, pois qualquer ato de violência contra os monges poderá provocar revolta da população devido ao alto grau de respeito histórico que estes gozam perante a sociedade.

A manifestação anterior foi feita por estudantes que serviram de alvo para as tropas do governo.

Em um dos atos do protesto pacífico os manifestantes pedem que toda a população reze em frente a suas casa durante 15 minutos, às 20 horas.

É difícil prever o futuro das manifestações, mas os monges estão dispostos a “varrer a ditadura do país” e contra uma força tão grande como a fé de uma nação os generais não tem muito a fazer.

Os monges somente entraram no movimento porque o governo começou a usar força contra os manifestantes pacíficos. Sua participação tem intenção principal de não permitir que mais pessoas morram como aconteceu no passado.

O governo autoritário dura 45 anos e transformou um país rico em uma nação de pobres.

Colunas de monges com mais de um quilômetro marcham pelos locais mais sagrados do país arrastando uma multidão durante seu trajeto. As pessoas entrelaçam seus braços em volta dos monges para protege-los de uma possível ação violenta do governo.

Também é pedida a libertação de presos políticos entre eles Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

Mais uma vez protestos pacíficos se mostram mais poderosos que armas e atentados terroristas na solução de questões conturbadas, esperamos que o exemplo seja seguido por mais países.

“As vezes acidentes tem que acontecer, mesmo assim devemos controlar a intensidade destes.”

André Neves

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