Opiniao


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Em meio a ditadura de Augusto Pinichet (1973-90) houve uma série de operações que na verdade serviram para caçar e executar opositores do governo.

Esta semana o juiz chileno Victor Montiglio ordenou a prisão de 98 es-soldados e ex-agentes da polícia secreta chilena por envolvimento com a Operação Colombo.

A Operação Colombo foi a responsável pelo desaparecimento de 119 pessoas em julho de 1975.

A versão oficial do governo, na época, foi que a morte dos dissidetes se deu em um combate entre facções de esquerda fora do Chile.

O problema da versão oficial do governo é que existem documentos que provam o contrário e as investigações posterires levaram a descoberta de grande número de corpos, mas pelo menos 42 ainda não foram encontrados.

O juiz responsável defende que os desaparecdos sejam considerados, pelo menos, vítimas de sequêstro.

A defesa do coronel da reserva Pedro Espinoza diz que as acuzações de sequêstro são uma "ficção jurídica", em suas palavras, "Todo mundo sabe que essas pessoas deixaram de existir há muito tempo".

Será que pelo fato de terem desaparecido a muito tempo isto significa que não merecem que seja feita justiça?

Houveram mais de 3 mil mortes e mais de 300 mil exilados durante a ditadura Pinochet.

Os últimos tempos são de instabilidade na vida de torturadores e assassinos das ditaduras latino-americanas. O Brasil, infelizmente, é uma excessão.

Vala Comum

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Infelizmente não são flores que brotam dos férteis campos da América Latina e sim um legado de lágrimas e torturas.

Há cerca de 25 anos atrás o Peru passava pelo que considero o momento mais conturbado de sua história.

Sofria nas mãos de grupos guerrilheiros, destacando-se o Sendero Luminoso, que mesmo brotando do meio intelectual universitário peruano se mostrou truculento como os mais ignorantes bárbaros do passado.

O pai ideológico do grupo terrorista foi Abimael Guzman que na época era professor universitário de filosofia e tinha grande influência Maoista. Depois do surgimento do grupo ele se auto-intitulou de Presidente Gonzalo.

Entre as táticas adotadas pelo grupo estavam ataques com bombas, assassinatos e envolvimento com o comércio de pasta de coca.

Em 1992 o líder do grupo foi preso e nos anos seguintes os principais líderes restantes, o que apagou, quase completamente, a chama do grupo.

Surgindo do passado é descoberta uma nova vala comum contendo cerca de 120 corpos de pessoas assassinadas neste período.

No auge dos conflitos, entre o exército e o grupo guerrilheiro, o exército estabeleceu uma base em Putis para localizar e eliminar inimigos nos vilarejos da região.

Era oferecido refúgio para os que queriam fugir do conflito, mas entre os refugiados sempre existiam suspeitos de estarem envolvidos com a guerrilha. Os suspeitos eram obrigados a cavar buracos, que, segundo os militares, seriam utilizados para criar trutas.

Depois de terminada a tarefa os suspeitos eram mortos e enterrados nas mesmas valas que cavaram. Até agora poucos militares envolvidos em assassinatos foram indiciados.

Mais de 70 mil pessoas foram mortas durante os conflitos, a grande maioria vítima das atividades do Sendero Luminoso.

As investigações estão sendo conduzidas pela Comissão de Verdade e Reconciliação, o nome da comissão traduz muito bem a vontade do Peru esta em um processo de reconciliação com seu passado.

Justiça Restaurativa

 

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Entre as práticas adotadas pela justiça como forma de tornar seu processo mais humano esta a adoção da Justiça Restaurativa, que foi tema de uma reportagem exibida ontem, dia 13/04/2008, no programa Fantástico, da Rede Globo.

Este programa foi desenvolvido e aprimorado nos Estados Unidos e cada vez mais esta sendo implantado em outros países, inclusive no Brasil.

Resumindo o programa coloca frente a frente vítimas e criminosos para colocar o famoso “pingo no i”.

Quando dizemos vítimas também podemos encaixar nesta categoria os parentes dos assassinados, etc.

É um confronto, olhos nos olhos, onde se discute violência, perdão, mas principalmente redenção de ambos os lados.

É um programa que causa polêmica e divide a sociedade, mas em certos aspectos pode representar uma drástica mudança de vida tanto do criminoso quanto da vítima ou de seus familiares.

Todos sabem como o perdão é importante para se superar um trauma e por vezes é necessário este “enfrentamento” para fazer com que a vítima ou seu familiar dê por encerrada esta etapa de sua vida.

O que acontece muitas vezes com os criminosos é que eles não vêem suas vítimas como seres humanos e sim como elementos em ocasiões específicas.

Um exemplo de como isto é prejudicial e pode ser combatido é na questão de seqüestros bem conduzidos onde familiares são incentivados a ir a público lembrar aos agressores que aquele elemento que esta sob sua custódia não é um mero objeto e sim um ser humano como eles que possui medos, traumas, fraquezas e sonhos. Um ser que tem uma história no passado e uma possibilidade no futuro.

Esta atitude simples reduz imensamente a possibilidade de ocorrerem agressões contra a vítima e no caso dos atingidos pela Justiça Restaurativa os faz perceber que magoaram e prejudicaram toda uma história familiar e pessoal e no futuro pode impedi-los que cometer o erro novamente.

Em muitos casos onde a vítima ou seu parente não estão em condições psicológicas de aproveitar a ocasião isto pode ser negativo, por isto o prazo para que isto seja feito não é fechado.

Um bom exemplo do que falo é que o pai de Gabriela, a jovem assassinada em uma estação do metrô do Rio de Janeiro declarou ao ver o rosto do assassino no dia de sua prisão. “Ele olhou para mim, olhou por alguns segundos no meu rosto, nos meus olhos, mas me olhou como se eu fosse um objeto.”.

Este trecho mostra como o bandido percebe a vítima e seus familiares como elementos e não como seres humanos.

Existem certas perguntas que precisão ser respondidas pela boca do criminoso para que sejam assimiladas pelas vítimas.

Quando eu saí do presídio eu saí mais aliviado. Aquele ódio que eu tinha acabou”, declarou o pai do menino Ives Ota depois que esteve frente a frente com um dos condenados pela morte do seu filho.

Em uma declaração o juiz Leoberto Brancher disse, “É um mecanismo privilegiado que dá ao infrator uma visão mais clara das conseqüências, da repercussão do ato que ele praticou. Para a vítima, é uma oportunidade de extravasar a carga emocional vivida pelo evento e com isso alcançar um alívio com relação a essa experiência”.

Além do obvio benefício de desafogar o sistema judiciário o mais importante é fazer o criminoso ver a vítima como uma pessoa igual e as conseqüências de seus atos, mas principalmente fazer um bem a quem tanto sofreu com seus crimes.

Acredito que nada melhor para encerrar que as palavras do pai de Ives Ota, “Quando você perdoa a pessoa, tudo muda na vida da gente. Aquele ódio que eu tinha acabou”.

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O clima explosivo no Paquistão reflete o total descontentamento da maneira como as coisas tem se desenrolado no país.

A tensão tomou conta do país nos últimos meses e o ponto culminante foi o atentado que vitimou a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto na semana passada.

Os preparativos para a eleição foram suspensos e uma série de vandalismo motivado pela revolta com a morte da líder da oposição e candidata mais provável para vencer as próximas eleições.

O governo defende o adiamento das eleições para fevereiro, mas sabemos que esta medida servirá primordialmente para defender os interesses dos governistas, afinal quanto mais distante as eleições da data do assassinato de Benazir Bhutto maior é a provabilidade do povo “esquecer” o fato e não mais motivado pela emoção votar favorável ao atual presidente do Paquistão, Perez Musharraf.

Nas palavras de Musharraf, “Comitês eleitorais foram destruídos, zonas eleitorais e equipamentos foram danificados. Infelizmente os órgãos envolvidos estavam enfrentando dificuldades para manter o pleito“.

Em uma medida para conter a onda de revolta o presidente do Paquistão anunciou a criação de uma comissão para investigar e identificar os responsáveis pela onda de violência.

Em um discurso o atual presidente declarou que a Grã-Bretanha se ofereceu para conduzir as investigaçõe sobre o assassinato de Bhutto.

O atual líder da oposição, Asif Ali Zardari, viúvo de Bhutto e líder do PPP (Partido do Povo do Paquistão) declarou que vê com bons olhos a ajuda da Grã-Bretanha, mas continua defendendo uma investigação independente comandada pela ONU.

A oposição confirma a paticipação nas próximas eleições e agora com força total, pois com o assassinato de Bhutto ela passou de ex-primeira-ministra com um passado de envolvimento em uma rede de corrupção para um mártir capaz de conduzir multidões.

É como digo: “Um mártir não possui pecados, esta acima do bem e do mal e em um momento sublime todos os seus pecados são esquecidos e somente as coisas boas são lembradas“.

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A vitória nas urnas e reeleição do presidente do Quênia Mwai Kibaki gerou uma série de protestos e eventos de violência.

A oposição contesta o resultado e o impasse criou um clima de guerra civil no já fragilizado país africano.

Considerada a maior crise de violência dos últimos 10 anos o país começa a sofrer uma emigração forçada de sua população que procura refúgio em outros países.

O nível de brutalidade é tanta que proporcionou um de seus mais medonhos casos no interior de uma igreja, na cidade de Elderet, no oeste do Quênia.

Várias pessoas se refugiavam da chacina que ocorria nas redondezas procurando abrigo dentro do local mais “respeitado” e neutro da região.

Isto não foi suficiente para conter a onda de ódio e a igreja foi incendiada e neste evento 30 pessoas morreram queimadas vivas, entre os mortos existiam 25 crianças.

Antes do incêndio foi feito um cerco a igreja que abrigava pessoas do grupo étnico Kikuyu, mesmo do presidente reeleito, e o cerco foi feito por seus rivais étnicos, os Luo.

A Cruz Vermelha declarou que a situação é de pura calamidade e a pressão internacional pede o fim da violência no Quênia.

Os dois rivais nas eleições, o vitorioso Kibaki e o opositor Odinga já pediram o fim da violência, mas pediram isto na frente das câmeras, não podemos falar sobre o que é dito fora delas.

Existe a necessidade de negociação, ainda mais depois que observadores internacionais descobriram irregularidades nas eleições e pedem uma revisão do processo eleitoral feito por um órgão internacional independente e neutro.

Mesmo com a boa vontade dos negociadores a crise, quase permanente, que reina no Quênia tem tendência a se prolongar indefinidamente. Quem paga o preço por isto é o povo que se vê obrigado a abandonar seu lar para não ser brutalmente assassinado.

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Em uma apresentação em TV o presidente cubano Fidel Castro leu uma carta onde indicou sua aposentadoria.

Durante o programa Mesa Redonda, principal fomentadora de “debatesem Cuba, deixou implícito em suas palavras que abrirá mão de seu posto de liderança no país.

Foi o primeiro momento em que Fidel demonstrou que jogar a toalha seja a única saída viável para sua situação, pois depois de um ano e meio de afastamento esta cada vez mais remota sua volta.

Para quem não se lembra ele se afastou da liderança cubana depois de se submeter a uma cirurgia de emergência no estômago em 2006.

Em suas palavras, “Meu dever elementar não é agarrar-me a cargos, e muito menos obstruir o caminho de pessoas mais jovens, e sim aportar experiências e idéias cujo modesto valor procede da época excepcional que me coube viver“.

Fez inclusive uma citação ao arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, Penso como Niemeyer, que se deve ser conseqüente até o final“.

Provavelmente Fidel também inveja a longevidade de Niemeyer e sua vitalidade apesar da idade avançada.

Não existe prazo para a renúncia formal, como será feito o processo e mesmo se seu irmão mais novo, Raúl Castro, irá continuar a governar o país em seu lugar.

Existe grande possibilidade que Raúl Castro suceda Fidel, ainda mais porque o prazo limite para Fidel se candidatar a vaga na Assembléia cubana este próximo e esta candidatura é pré-requisito para voltar à presidência.

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Esta semana, na primeira de uma série de processos, Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru, foi condenado a seis anos de prisão e ao pagamento de uma multa de cerca de R$ 240 mil reais por abuso de poder.

Em 2000 Fujimori se aproveitou da descendência japonesa e retornou a terra de seus ancestrais para fugir das acusações de corrupções.

Em 2005 retornou ao Chile para articular sua entrada na disputa para as eleições presidenciais de 2006 no Peru e foi detido. Depois de longo processo a Suprema Corte Chilena determinou sua extradição para o Peru.

Este novo processo surgiu por ter ordenado, sem autorização legal, a invasão e busca na casa de seu ex-chefe de segurança, Valdimiro Montesinos.

Esta invasão foi uma tentativa de recuperação e “limpeza” de dezenas de fitas de áudio e vídeo comprometedoras que incriminariam Fujimori em uma série de subornos e ameaças. O episódio ficou conhecido como “Valdi Vídeos”.

O julgamento foi tenso, mas se enganam que esta é a única das preocupações de Fujimori.

Hoje prosseguirá o julgamento por envolvimento na morte de 25 pessoas e no seqüestro de dois opositores durante o seu governo.

Este processo havia sido temporariamente suspenso depois de Fujimori ter se defendido aos gritos contra acusações e passado mal em uma crise de hipertensão.

O ex-presidente não aceitou as acusações pacificamente e se defendeu gritando, “rejeito as acusações totalmente, sou inocente“.

Os crimes de que Fujimori é acusado nesse processo ocorreram nos seus primeiros anos de governo, quando ele iniciou uma campanha contra o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso.

A condenação de Fujimori mostra um grau de maturidade novo que a democracia peruana chegou, pois é o primeiro governante a ser preso por crimes cometidos durante seu mandato.

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Durante a cerimônia de posse Cristina Fernández de Kirchner, nova presidente da Argentina levantou alguns pontos prioritários de sua gestão.

Ao receber a faixa e o bastão, símbolos do mandato presidencial, das mãos de seu marido, Néstor Kirchner, declarou que a justiça social e os direitos humanos serão os pontos fundamentais de seu governo.

Em suas palavras, “Enquanto houver um pobre na Argentina não haverá justiça social”.

Outro ponto que chamou muita atenção é o desejo de “maior rapidez” durante as investigações dos crimes cometidos entre os anos de 1976 e 1983, durante a última e mais violenta ditadura argentina.

Este período negro da história argentina deixou marcas profundas e a justiça sendo feita seria como exorcizar os “demônios do passado” para poder prosseguir a caminhada.

Não existe como deixar passar em branco o que a própria Cristina declarou como o “maior genocídio” já cometido no país.

Em outro momento declarou, “Temos essa dívida com as vítimas, com seus familiares e até com as Forças Armadas, para que possamos separar o joio do trigo”.

Entre os momentos mais aplaudidos da noite estava quando Cristina se referiu aos modelos de conduta durante sua gestão, os exemplos foram a ex-primeira dama Evita Perón e as Mães e Avós da Praça de Maio, mulheres que perderam os filhos e netos na ditadura.

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Em meio a um processo conturbado e polêmico a Bolíviaaprova” sua nova Constituição.

Foram aprovados 409 dos 411 artigos da nova Constituição.

Entre as aprovações esta o artigo sobre a realização de um referendo para decisão da continuidade, ou não, de Evo Morales.

Um ponto que já havia sido colocado em prática, mas não contava na carta magna é o dos hidrocarbonetos serem “propriedade” YPFB, estatal boliviana, e empresas petroleiras serem meras “prestadoras de serviços”.

Isto afeta diretamente os interesses da Petrobrás em território Boliviano.

Durante o processo de aprovação que foi feita “a toque de caixa“, como muito bem definiu a oposição, ocorreram várias irregularidades, como por exemplo, a mudança do local de deliberação para a cidade natal de Evo Morales e aprovação com menos do que o mínimo de constituintes exigido para aprovação da constituição.

Eram necessários 170 votos dos 255, mas contavam apenas com 164 aliados do governo.

Sobraram muitas polêmicas, como por exemplo, a não definição da capital constitucional do país, existe a disputa entre Sucre e La Paz, o que já provocou vários confrontos.

Duas questões ficaram para ser decididas em referendo popular, sobre a propriedade da terra e sobre o latifúndio.

Os conflitos tendem a se estender por mais tempo, pois cinco dos nove Estados que compõe a Bolívia pregam que não irão se submeter à nova carta magna.

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Em um momento mágico para a oposição venezuelana a proposta de reforma constitucional, proposta por Hugo Chávez, foi derrotada.

O referendo que poderia representar um grande passo para um governo totalitarista venezuelano. Ele foi estruturado da seguinte maneira.

Foi votado em dois blocos, sendo o primeiro com 46 artigos, destes 33 propostos por Hugo Chávez, sendo o resto proposto por parlamentares governistas. O segundo bloco possuía 23 artigos de proposição de parlamentares governistas.

Esta divisão foi estruturada para facilitar a passagem da reforma pelo referendo, analisemos da seguinte forma:

O primeiro bloco possuía os pontos principais defendidos por Chávez, entre outros o fim do limite para reeleição, fim da autonomia do banco central e reestruturação do território nacional, e em meio a estes os “benefícios” para o povo venezuelano como a diminuição da jornada de trabalho para 6 horas diárias.

A estruturação desta divisão é para facilitar a passagem dos interesses de Chávez mascarado junto às de interesse do povo.

Já no segundo bloco foram colocadas as propostas mais pesadas que seria alvo prioritário da oposição e de maior complexidade de ser aprovados, assim seria usada a estratégia do “antes um do que nada“, pois se o segundo bloco fosse rechaçado o primeiro ainda sustentaria os interesses chavistas.

Se o segundo bloco fosse aprovado seria melhor ainda para o governo e seus aliados, pois entre os artigos polêmicos propostos indiretamente por Hugo Chávez esta o famigerado artigo 337 que limitava o acesso à informação nos casos de estados de exceção.

A apuração foi tensa, o Conselho Nacional Eleitoral somente começou a divulgar boletins oficiais depois de pressão por parte da oposição, isto depois de quatro horas.

Com a confirmação da vitória a oposição tomou as ruas e a comemoração se estendeu até a madrugada.

A oposição saiu fortalecida deste processo e Hugo Chávez teve que reconhecer a derrota no referendo, em suas palavras, Essa é mais uma demonstração da credibilidade que devemos ter em nossas instituições, na nossa democracia bolivariana. (…) Agradeço aos que votaram pela minha proposta e, aos que votaram contra a minha proposta, agradeço e parabenizo“.

Em nove anos de governo esta é a primeira derrota de Chávez que deverá agora desacelerar seu processo de reforma para evitar maiores prejuízos.

A demonstração de bom perdedor deixou muitos admirados, mas não deixa de ser uma boa jogada, afinal, neste processo de reforma constitucional houve grande desgaste de seu governo e insistir seria fatal em curto prazo.

Em uma frase muito feliz Hugo Chávez definiu bem a situação, “A democracia venezuelana está amadurecendo.”

Mais do que uma vitória do povo venezuelano esta foi uma vitória da democracia.

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